O Norte do Paraná possui particularidades sob as quais passam despercebidas
diante de alguns moradores, mas que se naturalizou diante do olhar do mesmo ao
passar diante de uma paisagem urbana conflitante. Conflitante porque ao mesmo
tempo em que as grandes cidades do norte paranaense mudam sua paisagem urbana
em prol da especulação imobiliária, e no caso de Londrina fica muito evidente
perceber a influência do mercado imobiliário, tem-se um tempo que se podem
recordar as primeiras ocupações da cidade, que se configuram nas inúmeras e
diferentes casas de madeira no centro e alguns bairros tradicionais da
cidade.
Se procurarmos saber quais são os bens tombados pela secretaria de
Estado da cultura do Paraná, perceberemos que o patrimônio histórico de
Londrina contém quatro bens tombados: o Palacete da família Garcia, a Praça
Rocha Pombo, a antiga estação Rodoviária, atual Museu de Arte de Londrina e o
Cine Teatro Ouro Verde, todos de grande importância para a cidade, porém,
datados de uma mesma época da história da cidade, a década de 1950/1960, época
sob a qual a cidade passa por um projeto de 'modernização' e boom econômico,
significando um novo estilo de vida para a cidade. Entretanto, o patrimônio não
fica somente na esfera das políticas que se voltam a ele, em suma, devemos
pensar que as políticas que chegam para que qualquer bem uma esfera não só
institucional mas também no âmbito da memória e das identidades que a
comunidade cria com o espaço, ritos e tudo aquilo que gera identificação da população entre a
comunidade.
Neste caso, podemos pensar as casas de madeira no norte do Paraná,
que configuram e registram as primeiras moradias da região e que ainda existem
nos bairros tradicionais e em partes do centro de Londrina como a história não
institucional do patrimônio, pois configuram uma época não de glórias, mas
projetam-se dentro da comunidade com grande valor afetivo e configura um
destoante atraente dentro da paisagem urbana.
É interessante notar também que na contemporaneidade essas
edificações em madeira além de continuarem a ser moradias, muitas são
reapropriadas e voltadas para áreas de serviços como bares e restaurantes. Isto
nos mostra dentro da comunidade um afeto diante destas construções que gera uma
das identidades do Norte do Paraná.
Portanto, notamos que patrimônio ultrapassa a barreira do
institucional e permeia-se, ou melhor, tem o seu valor dentro da comunidade na
qual se insere.
| Restaurante na rua Guararapes, Londrina. Imagem disponível em: http://www.destemperados.com.br/regiao/pr/sabado-de-sol-viola-e-aconchego-no-dona-menina/ |





