terça-feira, 20 de agosto de 2013

Casas de madeira presente na paisagem urbana do Norte do Paraná.

Residência do Dr. Kurt Muller, médico do 'hospitalzinho' da Companhia de Terras Norte do Paraná. Patrimônio Três Bocas (Londrina) Década de 1930.  Londrina Documenta, acervo do Museu Histórico de Londrina. 
O Norte do Paraná possui particularidades sob as quais passam despercebidas diante de alguns moradores, mas que se naturalizou diante do olhar do mesmo ao passar diante de uma paisagem urbana conflitante. Conflitante porque ao mesmo tempo em que as grandes cidades do norte paranaense mudam sua paisagem urbana em prol da especulação imobiliária, e no caso de Londrina fica muito evidente perceber a influência do mercado imobiliário, tem-se um tempo que se podem recordar as primeiras ocupações da cidade, que se configuram nas inúmeras e diferentes casas de madeira no centro e alguns bairros tradicionais da cidade. 
Se procurarmos saber quais são os bens tombados pela secretaria de Estado da cultura do Paraná, perceberemos que o patrimônio histórico de Londrina contém quatro bens tombados: o Palacete da família Garcia, a Praça Rocha Pombo, a antiga estação Rodoviária, atual Museu de Arte de Londrina e o Cine Teatro Ouro Verde, todos de grande importância para a cidade, porém, datados de uma mesma época da história da cidade, a década de 1950/1960, época sob a qual a cidade passa por um projeto de 'modernização' e boom econômico, significando um novo estilo de vida para a cidade. Entretanto, o patrimônio não fica somente na esfera das políticas que se voltam a ele, em suma, devemos pensar que as políticas que chegam para que qualquer bem uma esfera não só institucional mas também no âmbito da memória e das identidades que a comunidade cria com o espaço, ritos e tudo aquilo que gera  identificação da população entre a comunidade.
Neste caso, podemos pensar as casas de madeira no norte do Paraná, que configuram e registram as primeiras moradias da região e que ainda existem nos bairros tradicionais e em partes do centro de Londrina como a história não institucional do patrimônio, pois configuram uma época não de glórias, mas projetam-se dentro da comunidade com grande valor afetivo e configura um destoante atraente dentro da paisagem urbana.   
É interessante notar também que na contemporaneidade essas edificações em madeira além de continuarem a ser moradias, muitas são reapropriadas e voltadas para áreas de serviços como bares e restaurantes. Isto nos mostra dentro da comunidade um afeto diante destas construções que gera uma das identidades do Norte do Paraná.
Portanto, notamos que patrimônio ultrapassa a barreira do institucional e permeia-se, ou melhor, tem o seu valor dentro da comunidade na qual se insere.




Restaurante na rua Guararapes, Londrina. Imagem disponível em: http://www.destemperados.com.br/regiao/pr/sabado-de-sol-viola-e-aconchego-no-dona-menina/





Professora Mercedes Martins Madureira com seus alunos em frente à primeira escola pública de Londrina, localizava-se onde, hoje, é o Edificio Comendador Júlio Fuganti, 1936.  Londrina Documenta, acervo do Museu Histórico de Londrina. 

Bar Valentino em Londrina. Imagem disponível no Google imagens. 

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

O Relojão: Patrimônio histórico e interpretação

O "Relojão" é um ponto turístico da cidade de Londrina e frequentemente é pensado como patrimônio histórico cultural. Localizado na parte superior do edifício América foi construído na década de 60 e tanto o relógio como o prédio(entre outras edificações) representam uma importante memória da cidade, o apogeu do café.
Para pensarmos em patrimônio histórico cultural é necessário que o objeto patrimonializado proporcione  a ideia de pertencimento, e ainda, o patrimônio histórico no uso educacional pressupõe observar a história que há na materialidade das coisas. O bem patrimonializado deve ser interpretado.
Acervo: Museu Histórico de Londrina "Pe Carlos Weiss"
 Que dia é hoje? Que horas são? Estas são perguntas que escutamos todos os dias e é comum utilizarmos o calendário e o relógio para respondê-las. Sem as datas e os horários seria quase impossível viver, temos hora para entrar na escola, para ir ao médico precisamos marcar com antecedência dia e horário. Marcar ou medir o tempo é comum e necessário. Mas será que sempre foi assim?
Uma grande parte da população nos dias de hoje vive nas grandes cidades e além do relógio e do calendário estamos cercados de outros inúmeros instrumentos como o computador, televisão, gps, celular, tablet etc. Mas nem sempre estes instrumentos existiram. Em outro tempo a maior parte das pessoas viviam no campo e a maneira que organizavam seu dia era diferente da nossa. A hora que iriam acordar, quando iriam dormir, que hora iriam trabalhar, quando iriam comer, tudo estava ligado a natureza. O homem acordava quando o sol nascia e ia se deitar no por do sol, comia quando tinha fome, através das estações sabiam quando era a época de plantar ou colher, observavam quando as folhas começavam a cair ou quando as flores começavam a nascer. O tempo era visto como um processo natural e os homens não se preocupavam em medi-lo com tanta exatidão. 










Avenida Paraná



Quem anda pelo calçadão de Londrina hoje em dia, na maioria das vezes não se atém à história do lugar. A Avenida Paraná, muito tem mudado ao longo do tempo. Presente desde a elaboração da primeira planta da cidade, em 1932, inicialmente era como uma avenida comum, com grande circulação de veículos e pessoas. Até meados do ano de 1942, não possuía nenhum tipo de revestimento, quando chovia tornava-se um imenso lamaçal, sua primeira cobertura foi de paralelepípedos.

       Entre as décadas de 1950 e 1960, era também local de lazer para os jovens, que tinham a avenida como ponto de encontro na realização do “footing”, quando moças e rapazes por lá caminhavam e se “paqueravam”. Abrigava também a maioria dos cinemas da cidade, com destaque para o Cine Teatro Ouro Verde.  Lá também eram realizados os desfiles cívicos de sete de setembro e comícios em períodos eleitorais. Na década de 1950, localizava-se ali a chamada “pedra do café” na qual aconteciam as grandes negociações do ouro verde.

       Na década de 1970 a Avenida Paraná foi fechada para a circulação de veículos e transformada em calçadão.  Tornou-se então o centro comercial da cidade, quando recebeu um revestimento de petit pavé com desenhos geométricos em preto e branco que ainda podem ser vistos parcialmente, já que o restante recebeu nova cobertura de paver com as reformas de 2010. Atualmente, a Avenida Paraná ainda é local de grande circulação de pessoas, manifestações e palco de grandes eventos culturais, como é o caso do FILO (Festival Internacional de Londrina).


Avenida Paraná, década de 1950. Autor desconhecido. Acervo Museu Histórico de Londrina